03
jul

Apedrejamento e violência contra mulher servem como inspiração?

O que inspira você? Já pensou sobre isso? Quem são as pessoas que fazem você querer ser melhor, mais interessante, lutar de fato por alguma causa ou que simplesmente apontam um novo caminho para direcionar a sua vida? Pois ontem, acompanhei de perto, um evento que se propôs a trazer estas inspiradoras criaturas para o mundo real. apresentá-las em carne e osso para uma platéia selecionada, em um hotel bacana de SP, durante o dia todo. O evento, focado no público feminino, veio com uma seleção de peso de pessoas inspiradoras e homenageados. Deixando a politicagem de lado – que sempre rola nestas ocasiões, a lista com nomes bombados incluía entre outros, as interessantes Eliana Calmom – primeira mulher a ter o cargo de corregedora nacional do Conselho Nacional de Justiça, e a presidente do comitê internacional contra o apedrejamento de mulheres, a médica iraniense Mina Ahadi.

Eliana Calmon

 

Se fossem só delas as oratórias, eu já estaria inspirada. O relato emocionado feito por Mina sobre a maneira como as mulheres são tratadas no pais dela me fez parar e pensar como é importante nos mobilizarmos em prol de uma causa concreta. Se não fosse ela dar voz aos abusos que rolam lá do outro lado do mundo contra as mulheres, a gente nem teria conhecimento da barbárie. Conhecida pela sua visão contundentemente crítica ao Islamismo, Mina conseguiu mobilizar milhares de pessoas, via redes sociais, contra a condenação a morte de uma mulher acusada de adultério – Nazanin Fatehi. Nazanin teria um final comum naquele país: seria apedrejada! Cruel. O som do apedrejamento reproduzido antes da palestra dela começar deu uma vaga e atemorizante ideia do ato. Exilada na Alemanha e sob constante proteção policial, graças as ameaças de morte que sofre, Mina inspira. Ela é uma mulher real, que deixou de lado as próprias causas em prol de lutar por questões alheias. Ativista desde sempre, ela fez com que a frase “Stop Stonning Now” corresse o mundo. Pedir que o apedrejamento pare é até patético para gente que não sabe o que é passar por isso. Nem na idade da pedra seria normal pedir tal coisa. A luta dela continua, assim como as privações. Ao invés de calar, Mina grita e pede ajuda para os quatro cantos do mundo e hoje sonha que todo o dia 11 de julho seja feito um minuto de silêncio para homenagear estas pobres mulheres que tiveram um fim tão triste e abusivo.

 

Mina Ahadi

Já Eliana Calmon, trouxe o assunto da violência contra mulher no nosso país.  Ela contou que a cada 35 segundos uma mulher é agredida por aqui. Eu já sabia disso, mas tinha esquecido o absurdo. Loucura? Sim, muita. E a gente não consegue frear estes números! Além disso, mostrou furos na lei e alertou que quando uma mulher é acometida por um ato de violência, esta ação acaba atrapalhando e brecando a economia nacional. Então, a violência contra mulher é uma questão política. Certo?  Enfim, ter um cargo tão importante, ser mulher e levantar as nossas bandeiras não é tarefa fácil.

 

Saí inspirada, reflexiva, orgulhosa e agradecida. Inspirada por ter conhecido de perto estas mulheres incríveis. Reflexiva por não acreditar que ainda exista tanta violência contra a mulher. Orgulhosa por saber que existem mulheres como estas que levam tão a sério as causas femininas. E agradecida por ter tido a oportunidade de me inspirar com um conteúdo tão rico! Obrigada Guta Nascimento pelo convite! Você foi impecável na produção das palestrantes.

Nazanin Fatehi

 

*Imagens: reprodução

 

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ivone souza|

Parabens a Mauren pela divulgação do tema. É preciso mobilizar os jovens para que a luta faça sentido e produza algum resultado. Nem só de glamour e festas se vive, infelizmente, e se algum comunicador com expressão trouxer este tipo de notícia, alguma coisa já terá sido feita.

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©Mauren Motta por Aldeia